Hoje amanheceu um dia lindo de sol. Para nós aqui em Jlle serviu para colocar tudo no sol e alguns bairros secar o que a água molhou, mas em cidades aqui perto como Itajaí e Blumenau foi um presente. Cidades que foram atingidas com o nivel do rio 14 metros acima do normal. Triste de se ver, imagine de viver isto. Há mais ou menos 3 anos atrás acho que em 2008, não me recordo bem, passamos por uma catástrofe aqui em Santa Catarina. Me lembro como se fosse hj. Naquela época minhas eu tinha minha agenta mais tranquila, atendia alguns pacientes domiciliares nas terças e quintas e apenas duas horas por dia, e de segunda à sexta tinha minha amiga Leticie para atender, que se recuperava de eum acidente de parapente. Bom, sei que quando a notícia foi chegando eu ia ficando com o coração mais apertado, foi aí que comecei a juntar td o que tinha em casa. Comecei pelos quartos colocando td pra fora do guarda roupa, foi uma arrumação de emergencia, depois na cozinha limpei os armários com td o que tinha de alimentos. Meu carro estava so com o banco da frente livre , mas por pouco tempo. Parei em um mercadinho aqui perto de casa e comprei materiais de limpeza e de higiene pessoal. O centro de arrecadação para os desabrigados da enchente era no Centreventos Cau Hansen. Antes de ir ate la, fui ate a casa da Leti para convida-la para este momento de solidariedade. Vc deve estar me perguntando mas aonde ela foi se o carro estava transbordando. Então, como ja disse , sou de uma persistência ...não me diga que não vai dar...pois eu te responderei...VOU TENTAR...VAI DAR SIM... rsrsr. Peguei minha paciente-amiga e disse: Hj faremos a fisioterapia de maneira diferente. Dei um jeitinho de Milena, e Lele foi na frente com suas muletas e ainda um banquinho de plástico para sentar la no Centreventos...ah...lembrei o nome era Central Solidária. Gente...eu queria que vcs pudessem sentir a emoção que tive ao chegar la...pense em montanhas de roupas e inúmeras pessoas andando de um lado para o outro. Parei meu carro ao lado de um monte de sacos de roupas que dava mais ou menos 6 metros de altura. Descemos do carro e varias pessoas vieram ate nos e em segundos tiraram td de dentro. Nos oferecemos para ser voluntárias. Meu coração batia tão forte que parecia que ia saltar pela boca. Uma energia tão grande e tão intensa... fiquei emocionada e me continha para não chorar. A leti só ria...pois afinal nem eu e nem ela imaginávamos que iámos encontrar toda aquele povo reunido para ajudar tantos desabrigados. Naquela adrenalina toda passamos 8hrs à fio ajudando a separar roupas e tudo o que vinha para doação. Cada carro que chegava que trazia uma sacola ou varias caixas era um sentimento lindo para quem recebia e quem doava. Os containers saiam a cada uma hora rumo às cidades atingidas. Saímos de la quebradas mas com o coração transbordando de alegria por saber que ajudamos um pouquinho famílias que não tinham mais nada inclusive aqueles que perderam parentes nesta catástrofe.
Neste momentos, o que prevalece é o ser ou melhor a essência de cada um. Se todos fizessem um pouquinho seria diferente. Muitas vezes eu escuto algumas coisas que preferia ser surda para não escutar tal ignorância do tipo: ¨ Milena, você tem que colocar uma coisa na sua cabeça, você não vai mudar o mundo e também não vai conseguir ajudar à todos! " ou " Ah, eu não vou ajudar pois o que os políticos fazem com o nosso dinheiro?¨ Caracas.... eu não quero mudar o mundo, mas será que este povo não sabe que unidos somos fortes. Claro Milena que não sabem, cada um olha só para seu umbigo. Mas tudo bem, nem vou entrar em detalhes agora sobre este tipo de pensamento.
Uma ótima e abençoada semana à todos.
Beijos Milena
Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
Gabriel Garcia Marquez